Somos criaturas de amor, em busca de amor! Toda a nossa vida é orientada por esta incessante procura. Desde o nascimento, procuramos a ligação de amor com os nossos pais e familiares mais próximos. Mais tarde nas amizades, parceiros românticos, os nossos próprios filhos…assim é o ciclo.

 

Prosperamos neste laço de confiança e cumplicidade. Começamos a aceitar a importância da unidade, interdependência, e como juntos somos mais fortes e mais felizes.

 

Como Buddha nos ensinou, a nossa capacidade de amar não é completa se não nos incluir. Na verdade, é muito comum ao longo das nossas vidas, darmos toda a nossa atenção e amor para o bem-estar e o conforto dos outros, à custa do nosso próprio. A lição é clara, o amor inclui amor-próprio em primeiro lugar. Se nos negligenciarmos, o quanto beneficiário é o que temos para oferecer? Se nós não amarmos a nós mesmos, o único amor que conhecemos é condicional, seletivo e imperfeito.

 

Quando procuramos um verdadeiro amor romântico, por aquela cara-metade que irá completar-nos, na maioria das vezes, nem sequer estamos conscientes do que procuramos. Se procuramos amor pelo desejo de sermos amados, então nós certamente não nos amamos a nós próprios e nem conhecemos o amor de todo. Como podemos encontrar algo que não conhecemos? Não podemos, encontramos por sua vez ilusões.

 

Encontrar o amor nunca pode ser baseado na necessidade, medo ou vazio interior. Encontramos e atraímos aquilo que emocionalmente emitimos e, por conseguinte, necessidade atrai necessidade, o medo atrai mais medo. Para atrair o amor real devemos ser amor, o amor para nós mesmos, pela vida, porque afinal tudo é sempre uma questão de frequências, as frequências corretas.

 

Podemos eventualmente cruzar caminhos com a nossa alma gémea em alguma altura da nossa vida, mas só podemos reconhecê-la, ou ser reconhecido, se estivermos corretamente sintonizados na frequência de Amor. O medo usa-nos como uma máscara, e nos torna irreconhecíveis, para nós mesmos e para os outros. Enquanto “vestirmos” os nossos medos, os nossos mecanismos de defesa e máscaras, e limitações meramente ilusórias, o verdadeiro amor não nos irá encontrar.

 

Por esse motivo, a maior parte das vezes que nos sentimos apaixonados por alguém, na verdade estamos apaixonados pela ideia do amor, por um conto de nossa criação, que com o tempo vai se dissolvendo e voltando à realidade. “Como pude estar tão cego em relação a esta pessoa? “, “Por que não percebi isso antes?” Nós “vemos” o que queremos ver, para servir as nossas necessidades, as nossas armadilhas mentais e escapadelas das nossas necessidades mais intimas.

 

Não há nada de errado em ficar sozinho por algum tempo. É um dos mais benéficos e gratificantes momentos que podemos ter. Aprendemos a concentrarmo-nos em nós próprios, amarmo-nos e aceitarmo-nos como somos em essência. A escolha de estar sozinho por um tempo, não significa que estaremos solitários, ou que ficaremos sozinhos para o resto de nossas vidas. Significa apenas que é hora de descansar, a fim de aprender e aceitar a mais bela e importante relação de todas, connosco próprios. Assim que conseguirmos compreender, saberemos amar de verdade e ser capazes de embarcar num relacionamento duradouro, para o resto da vida com outro. Não haverá mais necessidade, desespero ou medo. Só então, vamos compreender verdadeiramente que o amor nunca foi perdido, apenas deslocado, para fins de aprendizagem. Nunca podemos realmente perder aquilo que nos dá a vida, quem somos na essência, aquilo que somos feitos.

 

Eli de Lemos

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