Ascensão, ativações ou uma natural evolução universal? Durante alguns anos, e mais especificamente desde 2012 e a sua referência no calendário Maia, este é um dos temas mais debatidos e explorados. Como uma nova tendência “New Age”, a corrida para a ascensão começou implacavelmente. Em vez de unir a humanidade, como deveria, de alguma forma separou-nos ainda mais. Surgiram novos tipos de discriminações, os veganos versus carnívoros, espirituais versus materialistas, espiritualidade versus a velha ciência e religião, sem mencionar a variedade de novos sistemas de crenças e teorias, e a sua competição brutal por apoiantes. Isto não é espiritualidade!

 

Quando transcendendo em amor, a dimensões mais vibratórias, não há julgamento e nenhum sentimento interior de superioridade, estes são dois dos principais sinais da ilusão de ascensão. Não existe qualquer lógica ou motivo para nos sentirmos superiores aos outros ou mais iluminados por conhecimento adquirido. Pelo contrário, quanto mais aprendemos verdadeiramente, mais pequenos nos sentimos, porque a compreensão acompanha-se por uma sensação avassaladora de simplicidade e humildade. Somos minúsculos na escala universal e no entanto fundamentalmente uma parte do Todo.

 

Uma outra referência perigosa e muito comum é sobre o “caminho espiritual correto” ou o “caminho errado”. Uma vez mais, a presença de julgamento e de dualidade. O caminho espiritual é a Vida. Todos nós somos seres espirituais, cada um no seu próprio caminho, e sempre em prol da nossa aprendizagem espiritual. Não há separação, não há nenhum caminho “errado”, apenas o Caminho.

 

Ascensão poderá ser apenas um termo moderno para explicar a nossa evolução espiritual diária. Do que estamos a ascender, e com que finalidade? Por outras palavras, estamos evoluindo vibracional e dimensionalmente, de um estado inferior, menos vibracional, para um estado de consciência superior, mais vibratório. Isto é algo que temos vindo a fazer durante toda a nossa vida, a cada dia, ao aprendermos a ser pessoas melhores e mais sábias, para connosco próprios e com os outros. Ascensão não implica necessariamente um espaço diferente, mas sim uma mudança de uma perspetiva externa para a consciência interior, a Fonte dentro de nós próprios. A única diferença é que agora a mudança é a nivel global e universal, e o aumento de frequência é ampliado afetando todos nós, coletivamente. Esta é a mudança para a Unidade, o estado de consciência coletiva e apenas mais um passo natural na escadaria da evolução universal, o ciclo sintrópico.

 

Muitos irão debater pela referência a uma matriz baseada no medo, a que estamos todos energicamente submetidos e emprisionados. Muito embora eu não negue a sua existência e a tentativa de controlo, devo sublinhar o nosso direito de livre escolha espiritual. Enquanto houver livre escolha, há um caminho, uma opção, uma oportunidade para transformar e reforçar o Amor. Se estivéssemos presos de forma irreversível, não teríamos opções. A energia nunca poderá ser destruída, apenas transformada. Pode ser usada e roubada mas nunca eliminada, ainda mais enquanto houver uma consciência universal divina na sua base, como é o nosso caso.

 

O ponto fundamental é que a natureza decorre no seu curso, ao seu próprio ritmo. A evolução é inevitável, mas deve fluir naturalmente e não ser apressada. Existem riscos físicos e mentais ao precipitarmo-nos em frequências mais elevadas sem uma boa e adequada preparação e estabilidade física, mental e emocional. Iremos certamente sentir quando chegar o momento, é memorável para dizer no mínimo. E tudo isso apenas acontece espontaneamente, enquanto progredirmos na nossa capacidade de amar e aceitar o universo exatamente como é.

 

É por isso que não sou a favor de técnicas de ascensão ou rituais de ativação. O nosso corpo, ADN, Chakra cardíaco ou Coração Supremo (Timmus), glândula pineal e chakras superiores, “ativar-se-ão” por si naturalmente, uma vez atingido o nível de frequência interna correto e correspondente. Como qualquer máquina que quando submetida a energias mais elevadas do que as destinadas a suportar, destrói-se de dentro para fora e esgota-se. Existem técnicas prejudiciais que devemos evitar mas também existem alguns métodos bastante úteis e necessários para a nossa manutenção. Existem sistemas holísticos, como o Reiki por exemplo, que nos ensinam sobre o amor universal, como cuidar de nós próprios de uma forma sana e reassumir a nossa responsabilidade na nossa cura. Podemos também, e devemos, perdoar e aprender o desapego, encontrar a nossa paixão interior, o nosso propósito de vida e missão, meditar diariamente, praticar o enraizamento e amar, amar tudo. Como a água, não precisa de ativação para purificar, apenas de ser amada. O amor é a resposta, a porta para a transcendência e interdimensionalidade.

 

Eli de Lemos

Anúncios